quarta-feira, 22 de junho de 2011

Café sem açúcar

O café quente tinha açúcar
e dava um gosto especial no leite frio da tarde,
tomado aos goles rápidos pra não perder a brincadeira.
Por vezes, depois, quis repetir
na tentativa de reviver o gosto do leite com o café pingado
e, ao mesmo tempo, reviver aquelas tarde de Londrina.
Tão alienada que era, acreditava, numa certeza inabalável, na vida sem frustração
ou e, principalmente, sem perdas.
Hoje tentei mais uma vez
o café quente no leite frio
e, enquanto o paladar se ajustava ao café sem açúcar
percebi, que pelo apego, saudosismo, ou o nome que se queira dar,
o que mais marcou no leite frio com o café doce
era a prosa solta, o toque, o riso com a marca simpática da infância...
Hoje, sem prosa e sem toque e sem fala e sem riso
engulo o leite frio com o café sem açúcar
e volto o olhar pra dentro de mim.
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Saudosista?
Apegada?
Talvez...
Machucada com certeza...

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