O café quente tinha açúcar
e dava um gosto especial no leite frio da tarde,
tomado aos goles rápidos pra não perder a brincadeira.
Por vezes, depois, quis repetir
na tentativa de reviver o gosto do leite com o café pingado
e, ao mesmo tempo, reviver aquelas tarde de Londrina.
Tão alienada que era, acreditava, numa certeza inabalável, na vida sem frustração
ou e, principalmente, sem perdas.
Hoje tentei mais uma vez
o café quente no leite frio
e, enquanto o paladar se ajustava ao café sem açúcar
percebi, que pelo apego, saudosismo, ou o nome que se queira dar,
o que mais marcou no leite frio com o café doce
era a prosa solta, o toque, o riso com a marca simpática da infância...
Hoje, sem prosa e sem toque e sem fala e sem riso
engulo o leite frio com o café sem açúcar
e volto o olhar pra dentro de mim.
******
Saudosista?
Apegada?
Talvez...
Machucada com certeza...
quarta-feira, 22 de junho de 2011
segunda-feira, 20 de junho de 2011
Pelo espelho
Imagem distorcida pelo outono que se foi
O espelho mostra o sonho do passado
e a realidade sorridente do presente;
sem futuro ainda,
sem expectativa;
só a hora do inverno
que chega avisando, mas sem planos.
Pelo espelho, imagem de mim, num grito mudo de saudades...
Pelo espelho o outono se foi...
E o inverno se interpõe no vento que traz doces perfumes...
É na latência da primavera que se gesta o verão
O espelho mostra o sonho do passado
e a realidade sorridente do presente;
sem futuro ainda,
sem expectativa;
só a hora do inverno
que chega avisando, mas sem planos.
Pelo espelho, imagem de mim, num grito mudo de saudades...
Pelo espelho o outono se foi...
E o inverno se interpõe no vento que traz doces perfumes...
É na latência da primavera que se gesta o verão
quinta-feira, 9 de junho de 2011
Homem forte
E o homem forte chorou...
Lágrimas verdadeiras.
Como criança, ele chorou.
Todos viram
Ninguém falou...
O poder da máquina enervou o sangue do homem forte.
A noite que sempre acalmou
hoje estraçalhou o nervo.
O jornal que sempre acolheu
hoje foi jogado no chão.
A tosse seca,
óculos pesando as rugas,
bigode aumentando o formato da boca.
Ninguém o ajudou...
O cigarro barato, no cinzeiro sujo;
a televisão ligada, falando sozinha...
O homem forte.
O homem sério.
O homem tudo...
Perdeu-se na amplidão do nada
E chorou...
Lágrimas verdadeiras.
Como criança, ele chorou.
Todos viram
Ninguém falou...
O poder da máquina enervou o sangue do homem forte.
A noite que sempre acalmou
hoje estraçalhou o nervo.
O jornal que sempre acolheu
hoje foi jogado no chão.
A tosse seca,
óculos pesando as rugas,
bigode aumentando o formato da boca.
Ninguém o ajudou...
O cigarro barato, no cinzeiro sujo;
a televisão ligada, falando sozinha...
O homem forte.
O homem sério.
O homem tudo...
Perdeu-se na amplidão do nada
E chorou...
Assinar:
Comentários (Atom)