Tempos atrás, caminhava em um deserto árido.
E atravessava montanhas de sonhos desfeitos
e tempestades de areia.
Vislumbrava lindos castelos que se iam com a força do vento.
Por escolha ou por negligência ou atos de outros
via-me cada vez em desertos.
O oásis estava distante e, se surgia, não passava de miragem.
Ansiava por chuva para me desfazer da poeira
para lavar a alma ressequida e sedenta de vida.
O olhar procurava a planta, a flor, a natureza, a vida nem que fosse na muda ou na semente.
A caminhada em areias escaldantes já estava cansativa demais...
O sol aparecia todo dia, indiferente ao meu cansaço.
E então, sem nem perceber direito de onde veio, lampejos deesperança
na forma de trovão, relâmpagos começaram a dançar no deserto de cores descoloridas
A primeira reação foi me virar e, apesar de árida, permanecer na paisagem conhecida.
Mas o vento fazia grãos infinitos de areia machucarem os olhos.
Era preciso dar as costas ao vento para continuar enxergando
e seguir rumo ao horizonte...
E foi bem aí, nessa decisão levada pelo instinto da sobrevivência
que peguei na mão da VIDA...
E hoje, de mãos dadas com ela, enfrento o deserto com a água da esperança dentro de mim,
lavo as lembranças secas, o sofrimento árido...
A chuva sempre aparece, a poeira ainda está lá em algum canto
e o sol também...
sempre em frente, sempre alerta!
ResponderExcluire tudo passa... :)