segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Ipês no inverno

Quando o inverso apaga as cores da cidade e da vida
e o som do vento é ouvido nas noites frias e úmidas de neblina.
Algo começa a se desenhar em silêncio...
As primeiras folhas caem e o céu fica mais alto, mais claro, mais frio, intuindo a vida que recomeça no seu ciclo infindável...
Primeiro o rosa no tronco sem folha,
o amarelo traz a esperança mais concreta
e a vida explode no branco, exuberante e fascinante.
Impossível não contemplar e admirar.
(Penso que o Criador preparou a exuberância dos ipês para mostrar que, apesar do inverno, há sempre uma primavera nascendo... Sempre há esperança...)

sábado, 20 de agosto de 2011

Telas coloridas

Sabe aqueles dias que a gente abre a janela e vê a vida sem cor?
Que a gente constata que o vento da mágoa, da tristeza, da apatia já percorreu e varreu todos os cantinhos da vida, vasculhou cada recanto do que um dia foi cor e deixou marcas invisíveis e doídas em cada fresta?E ainda assim, a esperança visita todo dia?
Foi num dia como esse que abri a janela...
O vento tinha soprado muito durante a noite.
Ao abrir a janela a vida estava sem cor, sem som. Mas havia a brisa reiventando vida.
Todo encanto de antes estava cinza... Ausência de dor, mas sem a cor da alegria.
Ao fixar o olhar num horizonte imaginado, percebi primeiros tons e leves matizes
A paisagem ensaiava mudanças...
As cores pintavam cenários já visitados
A cor se pintou na expectativa da nova vida, esperada, amada e desejada...
E o dia pintou parte de sua tela... planos emocionados e comentários balbuciados em vozes de bebê.
Os pequenos pássaros saudavam as cores revisitadas...
E outro dia, ao abrir a mesma janela, surpresa gerando emoção.
A tela estava toda colorida... Outra vida visitando o dia.
O colorido mais vivo se fazendo presente na janela da vida, aberta para o mundo.
Colorido real, pintado por duas vidas que gestam em solos amados...
Duas telas coloridas para encher de cores a janela da alma.